Aumento de peso devido à quarentena gera impactos não só ao corpo, mas ao psicológico do indivíduo, apontam especialistas

Ansiedade e estresse acarretaram no aumento do consumo de alimentos ricos em carboidratos

A regra foi clara: a fim de conter a propagação do vírus da Covid-19, a população – em todo o mundo – precisou se recolher em casa, em regime de quarentena. Com isso, diversas consequências foram geradas, a exemplo do aumento de peso em parte da população. De acordo com pesquisas realizadas por um grupo de especialistas do Rio de Janeiro, cerca de 20% dos entrevistados apresentaram sobrepeso.

“As causas são alimentação mais rica em massas, pães e carboidratos em geral, interrupção de atividades físicas, maior consumo de álcool e o fato de as pessoas estarem comendo mais por vontade do que que por fome”, explica Rosita Fontes, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

De acordo com o médico Márcio Santana, especialista em ortopedia, medicina ortomolecular e clínico da dor, a muito redução drástica da prática da atividade física foi prejudicial.

“No meu ponto de vista foi um grande erro, pois, de acordo com um estudo realizado na Unesp (Botucatu) comprovou-se que um hormônio chamado irisina (que é produzido pelos músculos quando realizamos atividade física) aumenta em até 300 vezes as chances de um paciente combater a Covid (esse mesmo hormônio também nos protege contra o Parkinson e Alzheimer)”, explica o especialista.

Os pacientes do especialista têm se mostrado cada vez mais ansiosos, depressivos e com medo, onde, outrora, não apresentavam tais indicativos. A psicóloga Milena Cerqueira acredita que a pandemia trouxe à tona o que, noutro tempo, era afastado sob o argumento de “não ter tempo” para tratar dos assuntos psicológicos. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Google, no período de 4 de março a 29 de abril, a procura terapêutica aumentou em 88%, enquanto que, nesse mesmo período no ano passado, a procura por ajuda foi de apenas 11%.

“A quarentena, a perda de emprego, o fato de passar mais tempo em casa com cônjuges e filhos só explicitou ainda mais as demandas psicológicas das pessoas. A terapia têm feito muitos deles compreenderem e aceitarem que uma pandemia é um fator estressor muito forte e percebem que a terapia tem ajudado a passar por ela de forma mais empática”, diz Cerqueira.

A predisposição ao sedentarismo e a falta de disciplina alimentar já seria o suficiente para que o aumento de peso ocorresse, todavia, ao atrelar tais motivos à pandemia, o resultado consegue ser ainda pior. A saúde mental da população, neste período atípico e difícil, gera dificuldades para dormir, estresse e, principalmente, a compulsão alimentar.

Marcio Santana é criador do Programa Envelhecimento Saudável (Foto: Divulgação)

Márcio Santana afirma que “hoje já se sabe que muitas pessoas comem muito mais quando estão com seu emocional abalado”. Já Cerqueira esclarece o porquê disso. “Durante as crises de ansiedade, há uma alteração na produção de hormônios e há uma maior liberação de cortisol e adrenalina que enviam mensagens para o corpo pensar que está `em perigo` e, por isso, ele precisa de mais energia, aumentando assim, a fome. Além do que, comer libera endorfina, o que ocasiona na melhora do humor. Por isso, muitas pessoas descontam na comida seus estresses”, explica.

Um estudo realizado pelo governo britânico apontou que pessoas com IMC acima de 35 possuem uma probabilidade de cerca de 40% maior de morrer devido à Covid-19. O próprio primeiro-ministro, Boris Johnson, é exemplo disso. Johnson estava acima do peso e contraiu a doença, tendo que ficar internado. Após se recuperar, o primeiro-ministro se tornou o maior defensor da alimentação saudável.

Escrito por: Ingrid Alcântara

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